Como mudar seu "Eu" -
sem dor
Por Virgílio
Vasconcelos Vilela
"Se você pode
ser uma pessoa melhor, para que ser você mesmo?” Richard Bandler
Talvez
você ache estranha essa história de mudar de "Eu".
Afinal, como posso mudar o que eu sou? A base da idéia é distinguir
que existem pelo menos duas possibilidades para "ser".
Existe o que sou de verdade e existe o que acredito que sou.
Não posso mudar o que sou, mas posso mudar o que acredito
que sou.
O que alguém acredita que é define comportamentos
possíveis. Por exemplo, se realmente acredito que sou
tímido, e se passa pela minha mente um comportamento
mais extrovertido, pode ser que seja inibido devido àquela
crença. Acreditar que sou capaz de lidar com qualquer
situação certamente vai me fazer buscar alternativas,
ao invés de desistir. Ou seja, se eu acreditar direitinho,
meu cérebro não distingue entre a crença
e a verdade.
Outro aspecto da identidade é: como alguém determina
e sabe que é alguma coisa? Como é que alguém "sabe" que é "brigão",
por exemplo? Certamente deve ser porque têm padrões
de comportamento ligados a brigas. Como um tímido sustentará sua
crença se não lembrar-se de situações
em que agiu com timidez? Portanto, toda crença tem que
ter experiências que a comprovam para a pessoa. Esta é a
pista para mudar o que somos: se determino o que sou pelos
meus comportamentos anteriores, se eu mudar meus comportamentos,
logo serei diferente.
É
curioso o círculo que se forma: meus comportamentos
passados determinam o que acredito que sou, e o que acredito
que sou influencia meus comportamentos. É semelhante
aos hábitos: "primeiro você faz o hábito,
depois o hábito te faz".
Como mudar então? A solução é intervir
inteligentemente nos seus modelos mentais, usando a imaginação
para semear novas possibilidades de comportamentos. Um dos
nomes para isto é ensaio mental.
Estruturando, siga os seguintes
passos para mudar o que você acredita
que é:
1) Determine um objetivo,
como "agir descontraidamente
entre amigos". Descreva esse objetivo como algo que possa
ser feito, e não algo que você não
queira.
2) Descubra comportamentos
que definem para você que
aquele objetivo foi atingido. Se estiver sem idéias,
busque alguma fonte: como uma certa pessoa ou algum personagem
de filme ou livro agiria naquela situação? Ou
pergunte-se: se eu já tivessse atingido
meu objetivo, como agiria?
3) Verifique se os comportamentos
são aceitáveis
para seus valores e seu sistema em geral, e se serão
legais ou úteis (ecológicos) para você e
outras pessoas.
Se a resposta for negativa,
volte ao passo 2 e modifique ou acrescente comportamentos,
até que a mudança
se torne ecológica.
4) Faça o ensaio mental dos comportamentos. Simplesmente
dedique algum tempo a imaginar possibilidades para os acontecimentos
e praticar respostas possíveis. Imagine algo inesperado
e procure alternativas de ação.
Tenha em mente que você não vai "adivinhar" o
futuro, este nunca é totalmente previsível e
o detalhamento final das decisões sempre é feito
momento-a-momento. O que você vai estar fazendo é gerando
inspirações, que no momento apropriado vão
surgir espontaneamente em sua mente.
Pelo menos três comportamentos serão necessários
para que um padrão interno seja instalado. E se você fizer
essa prática para contextos variados (casa, trabalho,
lazer, relacionamento), a probabilidade de sucesso será maior.
Esta é uma forma simplificada de você fazer intervenções
em si mesmo; existem várias outras opções
para isto. Você tem em mãos uma das mais potentes
ferramentas do universo: a sua imaginação. E
talvez a distância entre você e um eu melhor seja
apenas duas ou três repetições.
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