Como controlar uma pessoa
Por Virgílio
Vasconcelos Vilela
Se ela não tiver opções,
você está no controle
Cláudio, adulto e
pai de família, conta que, quando leva uma fechada,
não sossega enquanto não alcança o outro
carro e desconta.
Vicente, de meia idade, não
suporta ser chamado de ‘moleque’,
de um certo jeito e sob determinadas condições,
ele se enfurece a ponto de pensar em dar um tiro no outro,
impulso este devidamente controlado racionalmente.
No filme
De Volta para o Futuro, o protagonista Marty McFly, quando
chamado de ‘covarde’, acaba cedendo à provocação,
como quando é desafiado para um pega por um mau
elemento.
O que essas pessoas têm
em comum é que
todas, sob certas condições, são
controladas externamente, isto é, estímulos
e fatores externos definem e regulam suas ações.
Em outras palavras, elas não têm opções
nesses contextos. A estrutura do seu comportamento, neste
caso, é similar à do
reflexo ou da compulsão, como aquele clássico
procedimento médico de “cutuca-o-joelho-e-a-perna-chuta”.
Essas
idéias contém a essência de controlar
outra pessoa: descobrir estímulos ou combinações
de estímulos que induzam ações
automaticamente na pessoa. Vamos ver outras possibilidades.
Algumas
pessoas, quando cumprimentadas, reagem como
um espelho:
- se você sorri, ela sorri;
- se você abana a mão, ela abana a mão;
- se você levanta as sobrancelhas, ela faz o mesmo;
- se você não a cumprimenta, ela também
não o faz;
Uma pessoa
com esse padrão é controlada
externamente no que se refere a cumprimentos.
Outra possibilidade é na
comunicação:
se você é enfático, ela
também,
e se você fala meigo, ela se derrete.
Você pode,
por exemplo, descobrir que sua esposa ou
marido tem uma compulsão por retribuir:
tudo que a outra pessoa recebe gera um “crédito” que
ela acaba devolvendo a você. Nesse
caso, tudo que você tem a fazer para
obter o que precisa é fazer coisas
por ela: café na
cama, banho, massagem no pé e no
corpo, levar para dançar,
ajudar no computador e outras opções
interessantes, gostosas ou necessárias.
Logo você estará recebendo
coisas interessantes, gostosas ou necessárias,
em particular se você sinalizar sutilmente
o que acha interessante, gostoso ou o que
precisa.
Já se sua intenção
for “pentelhar”,
amolar a outra pessoa - prazer de tantos
irmãos - deve
então descobrir ao que ela reage
e terá praticamente
garantido o sucesso. Pode ser uma fala,
um tom de voz, uma interferência
na concentração, repetições,
combinações.
Cuidados
Alguns cuidados devem
ser tomados para maior probabilidade de sucesso
ao tentar controlar alguém. Um deles é não
deixar que a outra pessoa descubra
sua intenção.
Essa informação,
essa consciência, propiciará a
ela opções e a reação
não
será mais reação,
será uma resposta,
ou seja, haverá uma escolha.
Por exemplo, se acontecer com você de
descobrir que a intenção
do outro é provocar em você uma
reação,
você logo vai perceber que
não reagir ou pelo
menos não demonstrar uma
reação não
vai proporcionar feedback de sucesso
para ele e inibir novas tentativas
(possivelmente, já que isto
depende da persistência
da pessoa).
Outro cuidado é não
exagerar na dose e não
mudar subitamente seus padrões
de comportamento, senão
a outra pessoa vai desconfiar
e buscar compreender o que
está havendo,
o que pode também
lhe inspirar opções,
novamente rompendo o automatismo.
Fique
atento também ao
fato de que as pessoas
mudam e,
quando você menos
esperar, a pessoa pode
já ter
desenvolvido uma nova resposta
ou fazê-lo de improviso.
Se você estiver preparado
para isso, claro, poderá ter
ou improvisar também
novas opções
para buscar atingir seu
objetivo.
Mudando o roteiro
McFly, no
final da trilogia, acaba evoluindo e desenvolvendo
a opção
de ignorar as provocações.
Em filmes isso é fácil:
basta buscar a idéia
e escrever no roteiro.
Pensando bem, sabendo
como atuar nos nossos
roteiros, pode ser fácil
também buscar
e escrever neles novas
opções,
o que é vulgarmente
chamado de preparação.
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